sábado, 4 de julho de 2015

Poeira


2 meses depois, já não havia mais nada. Nem roupas espalhadas pelo tapete sujo de ketchup ou sequer uma escova de dentes no banheiro molhado. Acabara a paixão, acabaram-se os motivos de estar ali e, mais uma vez, como um nômade, seguia seu caminho em busca de outros braços e abraços quentes, de cheiros diversos, de sorrisos amarelados, de outros olhos negros, ou verdes, ou azuis. Não importava, na realidade. Ele gostava mesmo era da arte da conquista, dos arrepios inusitados, do frio na barriga, no calor de um corpo diferente. O amor não lhe dera isso em momento algum. Não, o amor nunca fora o bastante. Não para ele que, com seus cabelos lisos caídos nos olhos, disfarçava a paixão momentânea expressa em seu olhar por palavras bonitas as quais as mulheres necessitam ouvir. Era como uma filosofia de vida...não permanecer no local onde já não há mais nada que lhe prendesse; livrar-se dos princípios e da moral era seu fim. A vida torna-se mais fácil se vivida com desapego aos sentimentos "nobres". E mais uma vez, carrega consigo a calça surrada, a camiseta de uma bandinha qualquer do momento, uma cerveja na mão, um isqueiro no bolso, um sorriso torto

e muita paixão no olhar. E depois? 2 meses depois, já não havia mais nada

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Nuvens


E olhar o céu
Ele quis
E foi

E deixou
Deixou o vento bater
E pedia por mais

E mais
E mais
E mais

Enquanto observava a imensidão
Acima de si
Ditando o fim

E as nuvens
Engoliam seu céu
Não como antes

Não azul
Não limpo
Não calmo

Sim poeira
Sim tempestade
Sim turbulências

E ao amanhecer
No final
Nada mais

Nuvens

Nuvens




Bukowski

(....)
E você me inventou
E eu inventei você
E é por isso que não damos mais certo
Nesta cama
(...)