sábado, 14 de junho de 2014

Martha

Martha não significava nada para mim, nada mesmo…só mais uma garota (com sardas e olhos lamacentos, além dos lábios fartos cobertos por um batom escuro e dentes da cor do leite que tomava todas as manhãs) com a qual eu gastava as palavras do meu vocabulário. Até que ela bateu em minha porta, perguntando se poderia passar algumas noites por aqui. Eu inventei algumas desculpas esfarrapadas que de nada adiantaram, e no final ela acabou dormindo por aqui mesmo. Eu hesitava em perguntar o porque daquilo, confesso até que tinha medo da resposta. Eu a respeitava, dormia no colchão jogado pela sala e a deixava na cama. Garota estranha, me intrigava de uma maneira única. Em um dia, quando cheguei em casa, em uma sexta, lá estava Martha, um bocado alterada deitada no MEU colchão. Eu havia saído da cama pra privá-la daquele colchão nojento; logo fui levantá-la…ela hesitou, me puxou pra perto de si. E sorriu. Martha poderia fazer tudo, menos sorrir.